Multidisciplinar de Ciências
Resumo
O presente trabalho analisa a relação entre a vulnerabilidade social e o comportamento suicida no contexto brasileiro, compreendendo o suicídio como um fenômeno complexo e multifatorial que ultrapassa dimensões individuais e envolve determinantes coletivos e estruturais. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, baseada em artigos científicos publicados entre 2015 e 2025, consultados nas bases SciELO, PePSIC e Google Acadêmico, buscando identificar fatores sociais associados ao risco suicida e refletir sobre a importância da atuação psicológica no enfrentamento deste cenário. Os resultados evidenciam que a pobreza, a desigualdade de renda, a instabilidade econômica, a precarização do trabalho, a baixa escolaridade, o desemprego, as condições habitacionais inadequadas, a exclusão territorial, o uso de substâncias psicoativas, o enfraquecimento dos laços sociais, a violência comunitária e a insuficiência de políticas públicas de suporte configuram elementos que ampliam a vulnerabilidade social e contribuem para o aumento de comportamentos suicidas. Esses achados reforçam que reduzir o sofrimento psíquico não depende apenas de intervenções clínicas individualizadas, mas de ações integradas e intersetoriais que articulem saúde, educação, assistência social, cultura e políticas de redução de desigualdades. Nesse sentido, destaca-se o papel da Psicologia no fortalecimento das redes de apoio, na promoção da saúde mental em territórios vulneráveis, na construção de estratégias de cuidado coletivo e na participação ativa em políticas públicas que defendam direitos, acesso e vida digna. Conclui-se que compreender o suicídio a partir da perspectiva da vulnerabilidade social amplia a análise do fenômeno, evidencia a relação entre sofrimento psíquico e contextos socioeconômicos e reafirma o compromisso ético da Psicologia com a proteção da vida, o enfrentamento das desigualdades e a promoção do cuidado integral.