Multidisciplinar de Ciências
Resumo
O presente trabalho tem como finalidade analisar os desafios enfrentados por mães de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), bem como os impactos do diagnóstico nas áreas sociais, emocionais e psicológicas oriundos da maternidade atípica, e ainda ferramentas que possam auxiliar numa vivência mais saudável e adaptativa dessa maternidade. Isso se faz necessário pois a qualidade dos cuidados depende das condições do cuidador, assim olhar para a sobrecarga materna constitui parte primordial do tratamento às crianças autistas. Considerando que crianças diagnosticadas com TEA necessitam de terapias diárias e auxílio nas suas atividades cotidianas, elas precisam de um responsável disponível a maior parte do tempo. Conforme apontado nos estudos, as mães são as pessoas que mais se dedicam aos cuidados dos filhos, abdicando geralmente de si próprias (seus sonhos, estudos, carreiras e outros) em detrimento dos cuidados com os infantes. Por não possuírem, na maioria das vezes, pessoas com quem dividir essas responsabilidades, se torna comum encontrar mães sobrecarregadas. Como resultado, tem-se que a sobrecarga materna pode culminar em adoecimento físico e psicológico, bem como afetar a vida social dessa mãe. A perda da identidade, autoestima e o abandono de si própria são comumente encontrados dentre as mães atípicas. Contudo, essas mães podem ser beneficiadas com a criação de políticas públicas e espaços terapêuticos voltados ao seu acolhimento, ou ainda pela oferta de redes de apoio (as quais podem ser familiares, institucionais ou sociais). A Psicologia também pode auxiliá-las, uma vez que durante o processo psicoterápico as mães podem resgatar sua identidade, autoestima e aprimorar ou iniciar seu autoconhecimento.