Multidisciplinar de Ciências
Resumo
A liderança em enfermagem é elemento central para a qualidade da assistência e para o funcionamento organizado das equipes de saúde, exigindo do enfermeiro competências técnicas aliadas a habilidades emocionais. Nesse cenário, a inteligência emocional se destaca como recurso estratégico, pois envolve reconhecer, compreender e gerenciar as próprias emoções e as emoções da equipe, favorecendo equilíbrio, empatia e decisões assertivas em contextos de alta pressão. Este estudo teve como objetivo analisar a importância da inteligência emocional no exercício da liderança em enfermagem. Adotou-se abordagem qualitativa e descritiva, composta por revisão integrativa da literatura, realizada em bases nacionais e internacionais no período de 2020 a 2025, e por pesquisa de campo com sete enfermeiros líderes de unidades de saúde de Iporá, Goiás, que responderam a questionário estruturado. A análise temática do material permitiu articular os achados teóricos às percepções práticas dos participantes. Os resultados indicaram que a inteligência emocional contribui para fortalecer as relações interpessoais, melhorar a comunicação, reduzir conflitos, favorecer a coesão da equipe e promover cuidado mais humanizado e seguro ao paciente. Os enfermeiros relataram que líderes emocionalmente conscientes tendem a estimular diálogo respeitoso, apoiar decisões compartilhadas, lidar com situações críticas com maior calma e criar ambiente de confiança, o que repercute positivamente no bem-estar da equipe. Entre os desafios, destacaram-se a sobrecarga de trabalho, a dificuldade de manter o autocontrole em situações de estresse e a falta de programas institucionais voltados ao desenvolvimento emocional. Conclui-se que investir em formação contínua em inteligência emocional e em espaços de escuta e apoio psicológico é fundamental para qualificar a liderança em enfermagem e fortalecer o clima organizacional. Tais estratégias podem potencializar o engajamento profissional, reduzir adoecimento relacionado ao trabalho, favorecer práticas colaborativas e consolidar modelos de gestão mais éticos, participativos e alinhados aos princípios da humanização em saúde em múltiplos contextos.